Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido hialurônico no glúteo: 'Achei que estava morrendo'

Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido Uma empresária relata ter enfrentado dores intensas, desmaios, sucessi...

Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido hialurônico no glúteo: 'Achei que estava morrendo'
Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido hialurônico no glúteo: 'Achei que estava morrendo' (Foto: Reprodução)

Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido Uma empresária relata ter enfrentado dores intensas, desmaios, sucessivas internações e três intervenções cirúrgicas depois de realizar um preenchimento glúteo com ácido hialurônico em Porto Alegre. Patricia Coelho Fernandes, de 25 anos, relata que os primeiros sintomas começaram ainda durante o procedimento, realizado no início de agosto. Horas depois, ela foi levada pelo marido a um hospital após desmaiar dentro de casa. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Documentos médicos anexados a um processo judicial movido por ela contra a clínica e a biomédica responsável pelo procedimento registram infecções nos dois lados dos glúteos. Patrícia conta que já havia realizado preenchimentos na região glútea, inclusive com a mesma profissional. Nas ocasiões anteriores, diz ter sentido apenas um desconforto e conseguido manter a rotina. Dessa vez, afirma que a dor começou enquanto o produto era aplicado. “Quando ela estava colocando o produto, eu já estava sentindo muita dor. Eu saí da clínica com muita dor e mal conseguia sentar no carro.” Ao chegar em casa, Patrícia afirma que permaneceu deitada de bruços porque não conseguia apoiar a região. Nas horas seguintes, começou a sentir tremores, calor, tontura e fraqueza. Ela afirma que entrou em contato com a biomédica que realizou o procedimento, relatando que a dor parecia anormal. Segundo ela, recebeu a orientação de tomar um medicamento. Ela conta que levantou de madrugada e percebeu que estava fraca. Segundo Patrícia, ela desmaiou mais de uma vez. “Eu falei para o meu esposo: ‘Eu estou desmaiando, me leva para o hospital’. Depois, lembro de acordar com ele me sacudindo e pedindo para eu acordar", disse. “Eu só pedia para Deus não me levar." Atendimentos em diferentes hospitais O marido levou Patrícia ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Segundo a paciente, exames de sangue apresentaram alterações que indicavam um processo infeccioso, e ela permaneceu internada por alguns dias. Patrícia afirma que pediu que a biomédica Carolina Machado Ramos fosse ao hospital para explicar aos médicos como o preenchimento havia sido realizado e qual produto havia sido utilizado. De acordo com a paciente, a profissional compareceu algumas horas depois, quando ela já estava internada. Depois da alta, a empresária diz que a região ficou mais inchada, escurecida e com elevações visíveis. Ela afirma ter enviado fotografias à biomédica e recebido a informação de que as alterações fariam parte da recuperação. Com a piora, Patrícia procurou uma clínica particular. Segundo ela, um ultrassom indicou infecção nos dois lados dos glúteos e a necessidade de tratamento em ambiente cirúrgico. “Quando disseram que eu teria que fazer uma cirurgia e que poderia ficar deformada, eu entrei em desespero. Eu não queria fazer cirurgia. Sempre tive muito medo.” Patrícia conta que procurou, então, atendimento no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Depois, foi transferida para o Hospital Moinhos de Vento, onde uma equipe passou a acompanhar o caso e indicou a necessidade de intervenção cirúrgica. Patrícia descreve o tratamento como uma sucessão de incertezas. Até então, ela nunca havia passado por uma cirurgia. “Para mim, o preenchimento era como fazer um preenchimento no rosto. Eu pensava que o risco era um lado ficar um pouco maior do que o outro e depois ser corrigido. Jamais imaginei uma infecção, uma internação e três cirurgias.” Empresária foi submetida a novas cirurgias Patrícia afirma que novas operações foram necessárias porque a infecção permanecia concentrada nos tecidos, apesar do tratamento com antibióticos. Ela conta que uma das regiões ficou mais funda depois das intervenções. Um parecer infectológico apresentado pela defesa de Patrícia considera que o quadro pode ser compatível com a entrada da bactéria durante o procedimento. Depois da alta, Patrícia continuou usando antibióticos e permaneceu com drenos na região operada. A paciente diz que qualquer dor ou alteração no local desperta o medo de uma nova internação. “A infecção está controlada, mas eu não estou curada. Quando sinto dor, fico apavorada. Penso que posso ter que voltar para o hospital e não sei o que vou fazer.” Patrícia publicou um vídeo nas redes sociais relatando o período de internação, as cirurgias e o medo de não voltar para casa. Ela diz que costuma preservar a vida pessoal e que pessoas próximas ficaram surpresas com a decisão de tornar o caso público. “Quem me conhece sabe o quanto eu sou discreta. Mas vi muita necessidade de expor porque fiquei preocupada com outras mulheres passarem por isso.” Cronologia 3 de agosto : Patricia Coelho Fernandes realiza o preenchimento glúteo com ácido hialurônico em Porto Alegre. Segundo a paciente, a dor intensa começa ainda durante a aplicação. Madrugada de 4 de agosto: Patrícia relata tremores, suor, fraqueza e desmaios em casa. O marido a leva ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Primeira semana de agosto: a paciente permanece internada por alguns dias no HPS. Os primeiros exames não teriam identificado necessidade de drenagem e ela recebe alta. Dias seguintes: Patrícia relata piora da dor e do inchaço. Após uma avaliação em clínica particular, procura o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. 15 de agosto: Patrícia é internada no Hospital Moinhos de Vento, segundo a documentação médica apresentada no processo. 18 de agosto: é realizada a primeira cirurgia, com drenagem de secreção e retirada de tecido comprometido. Material coletado identifica a bactéria Enterobacter bugandensis. 27 de agosto: Patrícia passa pela segunda cirurgia, com novo procedimento nos dois lados da região glútea. 1º de setembro: é realizada a terceira cirurgia, também com intervenção bilateral e tratamento local da infecção. 2 de setembro: Patrícia recebe alta do Hospital Moinhos de Vento e a ação por danos morais e materiais contra Carolina Machado Ramos e a Boto Lips Centro Estético Ltda. é distribuída à Justiça. O que diz a clínica Em nota, a clínica Boto Lips Centro Estético Ltda. afirmou que utilizou ácido hialurônico regular, que mantém a documentação do produto e que adotou protocolos de assepsia e biossegurança. A empresa também alegou que Patrícia descumpriu uma orientação ao realizar bronzeamento a jato menos de 30 minutos depois de deixar a clínica. A clínica afirmou que mantém a rastreabilidade dos produtos, com etiquetas de identificação, lote e validade registrados na documentação da paciente. “A clínica adota protocolos rigorosos de assepsia e biossegurança, além dos cuidados de armazenamento dos produtos. A documentação referente ao procedimento e aos produtos utilizados encontra-se preservada”, diz a nota. Segundo a empresa, Carolina Machado Ramos é biomédica habilitada em Estética, regularmente inscrita no Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região. A empresa sustenta que a profissional atua dentro das atribuições da habilitação. Segundo a empresa, Patrícia havia programado um bronzeamento e foi orientada a não realizá-lo. Mesmo assim, teria feito um bronzeamento a jato em outro estabelecimento menos de 30 minutos depois de deixar a clínica. “As orientações pós-procedimento fazem parte do cuidado e são fundamentais para a segurança e adequada evolução do paciente”, afirma a empresa. “A clínica entende que a apuração deve considerar todo o contexto do atendimento, incluindo as condutas adotadas no período pós-procedimento, sem antecipar conclusões quanto à causa da intercorrência ou à atribuição de responsabilidade.” Já a advogada Diandra Duflot de Abreu, que representa a paciente, contestou a versão. Segundo ela, o bronzeamento foi recomendado e oferecido pela própria biomédica para amenizar as marcas roxas. A advogada também afirmou que médicas responsáveis pelo tratamento hospitalar descartaram a possibilidade de o bronzeamento ter provocado a infecção. Nota da Clínica: "A Boto Lips Centro Estético Ltda. esclarece que o procedimento mencionado foi realizado com ácido hialurônico, mantendo-se a rastreabilidade dos produtos utilizados, com as respectivas etiquetas de identificação, lote e validade registradas na documentação da paciente. A clínica adota protocolos rigorosos de assepsia e biossegurança, além dos cuidados de armazenamento dos produtos. A documentação referente ao procedimento e aos produtos utilizados encontra-se preservada. A profissional responsável é biomédica habilitada em Estética, regularmente inscrita no Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região, sob o CRBM-5 nº 2007, atuando dentro das atribuições de sua habilitação profissional. Após tomar conhecimento dos sintomas apresentados, a profissional manteve contato com a paciente e prestou o suporte e as orientações cabíveis. Ressalta-se que as orientações pós-procedimento integram o protocolo de segurança e a adesão do paciente a essas recomendações é fundamental. No caso mencionado, a paciente foi expressamente orientada a não realizar o bronzeamento que havia programado naquele momento. Apesar da orientação, realizou bronzeamento a jato em outro estabelecimento menos de 30 minutos após deixar a clínica, fato sobre o qual existem registros. A clínica entende que a apuração deve considerar todo o contexto do atendimento, incluindo as condutas adotadas no período pós-procedimento, sem antecipar conclusões quanto à causa da intercorrência ou à atribuição de responsabilidade. O caso encontra-se em discussão judicial, ainda sem decisão sobre eventual responsabilidade, e os demais aspectos técnicos e documentos pertinentes serão apresentados no âmbito adequado." Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido hialurônico no glúteo Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS